segunda-feira, 11 de maio de 2009

fotógrafo aprendiz




Sempre que posso, faço saídas fotográficas com meus alunos.
Estar em lugares diferentes aos quais estamos acostumados a fotografar é uma oportunidade para treinar o olhar.
Em todas as saídas meu divertimento é fotografar os fotógrafos-aprendizes.
Essas três fotos foram feitas em 2006 na Lapa.
Na primeira o Raphael Moroz estava fotografando um peça do museu da cidade. Eu estava com uma tele, portanto, fora do campo de visão de sua câmera.
Em seguida, Amanda Ribas e Daniel Mocellin em frente ao Pantheon trocando impressões fotográficas.
Por último, Gustavo Kreelling. Quando o vi a camiseta com a qual ele estava vestido, comecei a perseguí-lo. Foi o mais fotografado do dia.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

O homem mais alto do mundo


Adorava sair pelas ruas de mãos dadas com meu pai, de curvar a cabeça para olhar em seus olhos tão altos, lá perto do cucuruco dos seus 180 cm.
Os anos lhe roubaram uns 15 cm.
A cabeça se tingiu de branco.
O sorriso continua a inundar seus olhos de um jeito que eu adoro.
Amanhã ele faz 81 anos.
Pediu de presente passar o aniversário com a família na praia.
Estarei lá.

Para comemorar o dia das mães


Mãe! Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei!

Traz tinta encarnada para escrever estas coisas!

Tinta cor de sangue encarnada, sangue verdadeiro, encarnado!

Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!

Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens!

Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar.

Quando eu voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um.

Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me ao teu lado.

Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.

Mãe! Ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego muito apertado!

Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa.

Eu também quero ter um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa.

Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!

Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!


Almada Negreiros


Roubei do blog de minha amiga Marta

A foto foi feita no Alagado, Ponta Grossa.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

tirador de fotos



Essa foto foi feita no Mosteiro da Ressurreição durante as comemorações da Páscoa. A procissão dos monges carrregando os lampiões sai da capela e vai até o jardim do claustro, onde acontece uma vigília que dura a noite toda.
Fiz fotos dentro da capela e corri para fazer a foto de fora.
Esperei vários minutos para que estivessem dentro do meu quadro fotográfico vários monges e que o primeiro tivesse a altura certa para o enquadramento equilibrado.
Quando percebi que estava quase lá, comecei a sentir uma ardência em um dos pés.
Formigas.
Mas,o fotógrafo quando encasqueta com um enquadramento, não o perde por nada.
Não há formiga ou riscos que nos tirem do lugar se "aquela" foto está quase no ponto certo.
E é aqui começa a diferença entre um fotógrafo e um tirador de fotos.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Pequenas dicas 10

Há elementos que nos impressionam por sua grandeza.
É o caso deste eucalipto.



Porém, muitas vezes não conseguimos dimensionar o tamanho dos objetos por meio de uma fotografia. O que era enorme, se transforma em um plano que não possui a dimensão exata. Para resolver isso devemos trabalhar com elementos que nos indiquem a dimensão do objeto.



Para dar a noção do tamanho do eucalipto coloquei uma pessoa ao seu lado. Fiz a foto com uma lente 20mm (acima). Para ampliar a impressão o ideal é mostar em outra foto um detalhe. Foi o que fiz, dessa vez com uma lente 300mm.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Parabéns mana


Quando adolescente minha irmã era gordinha. Para ela, suas pernas eram roliças demais.
Eu era uma criança palito - acreditem!
Ela adorava fazer docinhos miúdos - herança de meu pai que começou a vida como confeiteiro.
Lembro das receitas de cajuzinho que ela guardava em uma lata verde e escondia em um lugar secreto da casa.
À mim sobrava raspar a panela e ganhar um ou outro doce depois de muita cara de coitada.
Um dia, brincando pela casa, descobri a lata do tesouro escondida sob a cama. Passei a tarde toda por lá. Abri a lata com cuidado, senti o cheiro de cada doce e saboreei até não aguentar mais. Só não apanhei dela porque meu pai lhe deu dinheiro para fazer outra receita.
Acho que foi uma paixonite que levou minha irmã a fazer regime.
As frutas ganharam seus lugares e a família foi apresentada a uma tabela de calorias.
Quando a vontade de comer doces era muito grande minha irmã fazia uma receita de brigadeiro de colher - ela adorava o cheiro, e me fazia comer tudinho.
Ficava no comando da minha degustação - mais rápido, mais lento. Eu adorava, claro.
O regime deu certo, ela emagreceu.
Dali em diante minhas pernas começaram a ficar roliças...
Até hoje acho que foi sua vingança pelo roubo dos cajuzinhos.

A foto foi feita na Lapa (acho que nunca fotografei docinhos)

segunda-feira, 4 de maio de 2009

a semana



Esta semana é de comemorações. Aniversário de uma irmã, aniversário do pai e dia das mães.
Será a minha semana das lembranças familiares.
Começo por minha irmã.
Sou a terceira de três irmãs com uma diferença de seis anos da última.
Isso me fez uma observadora do que a vida poderia me oferecer por meio das agitações dessa minha irmã e de seus amigos.
Nos finais de semana a casa se transformava. Todas as amigas dela se empoleiravam no quarto para se arrumar para as festas.
O quarto me era proibido em outros dias, mas não nesses. Acho que meu rosto expressava tal embevecimento e alegria que minha pequena presença fazia com que todas se achassem protagonistas de um filme como aqueles que assistiam na sessão das nove e quinze do Inajá.
Eu ficava em um canto, sem direito a muitas falas, observando os cabelos tomarem forma por meio do vira para um lado e outro das toucas; das meias que trocavam de pernas na busca frenética por uma melhor combinação; das cores marcantes nos olhos; dos cintos largos feitos de verniz em cores limão; das gargalhadas animadas pela cerveja e a excitação de ser livre.
E ainda haviam os soutiens, tão lindos, tão recheados me fazendo sonhar com o dia que me deixariam usar um deles.
Era um universo repleto de deliciosas histórias - algumas que eu não entendia direito já que alguns significados me fugiam.
Á minha frente, na a vitrola portátil laranja, rodava o disco mais recente dos Carpenters, do Erasmo, do Chico ou da Clara Nunes.
Adorava aquele quarto envolto na fumaça de um único cigarro que passava por cinco ou seis bocas "sem batom para não manchar", partilhado às escondidas de meus pais e a com a minha garantia de que não falaria nada, sob a pena de nunca mais entrar por lá.
Risco que eu jamais correria.
Quando todas saiam para as festas eu ficava por ali mais um pouco, dona do lugar, me fazendo moça na frente do espelho, segurando um cigarro imaginário, dançando ao som do Roberto.
Eram dias de dormir com um sorriso nos lábios e as pestanas pintadas de azul cobalto, a cor da moda.