sábado, 28 de agosto de 2010

porque hoje é sábado


...e os dias começam a ficar normais.

Um sábado para guardar no coração.
São Jacinto - Portugal

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

domingo, 15 de agosto de 2010

Manoel Augusto BahlsVeiga
09-05-1929
12-08-2010
Minha lembrança mais remota é a de um homem muito alto com olhos sorridentes que me carregava para perto das nuvens. Acho que foi a experiência de experimentar a proximidade do céu, nos braços do meu pai, que me ensinou a sonhar e a sorrir com os olhos. A acreditar que o mundo e as gentes que o habitam são bons, mesmo quando teimam em ser ruins. A crer que a melhor herança não é aquela que se gasta, mas sim a única que pode ser eterna: uma caixa repleta de boas lembranças.
Partilho com vocês um bolo de aniversário em formato de castelo feito pelas mãos do confeiteiro; algumas horas perdidas em uma loja feminina a escolher um vestido vermelho para o primeiro baile com o primeiro namorado; o som do coração e o calor do colo paterno antes de dormir; a laranja descascada de uma única vez e o sorriso cúmplice quando a casca se partia e rapidamente a jogávamos no lixo deixando para trás, sempre com bom humor, aquilo que teimava em nos vencer; as panelas de doces sempre fartas de “restinhos” para raspar; os chás para curar tudo do “doutor cipó”; o foguetório em qualquer ocasião do Mané Fogueteiro; as receitas de emagrecer que consistiam em conselhos de comer por um para ter o corpinho de um; os anjinhos feitos de isopor e lantejoulas distribuídos no Natal; os ninhos de Páscoa que faço há 45 anos; as distrações que faziam o carro parar no muro ou no paralama dos carros dos vizinhos; o jardim bem cuidado repleto de flores e sempre com uma mudinha de babosa para dar de presente a um convertido aos benefícios da planta; as noites nos velórios que deviam ser animadas, porque afinal “a vida é uma celebração e a morte uma distinção”; as brincadeiras no mar que o assustava – nunca aprendeu a nadar – e o fascinava; a alegria intensa e a gratidão que devemos ter por cada instante; os olhos marejados e assustados quando a violência rondou minha vida; as horas dispensadas na procura de um carro bonito – acabamos por comprar o mais bonito do pátio – vermelho lustroso e com muitos problemas mecânicos, mas estávamos orgulhosos da nossa compra; do sorriso esboçado no último dia dos pais quando as novidades do meu coração o fizeram se alegrar; dos olhos que brilharam quando ao me despedir disse” te amo”...
Há uma vida dentro dessa caixa e tenho certeza que outra caixa, igualzinha a essa, está a ser aberta lá no céu eternizando essa existência brilhante que tive o privilégio de partilhar.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

sexta-feira, 6 de agosto de 2010