Tem gente que não gosta de Arroz Doce porque o relaciona com Arroz aproveitado de ontem.
Grande injustiça!
Arroz doce tem seus requintes, a começar pelo perfume que invade a casa quando a canela começa a ferver na água (bem pouca)que espera a xícara de grãs de arroz crus. Enquanto o arroz cozinha com o pau de canela, dois ou três cravos, um litro de leite gordo e uma pitada de baunilha, outro cheiro invade a cozinha: açúcar queimado que fará música quando receber sobre ele uma lata de leite condensado.
Como em um baile bem orquestrado, tudo se mistura em uma única panela para depois ir a um prato e ser polvilhado com canela.
Uma delícia!
Arroz de ontem, serve para fazer bolinho de arroz! O da minha mãe não tem igual.
Mas isso fica para outro post.
e o meu jeito é o jeito que a vontade se ajeita...
como em uma carroça de melancias a vontade vai se esgueirando entre os elogios das visitas (minha mãe é a que mais me elogia), os desejos do meu próprio estômago, o apetite de minha irmã Lígia e os dias de festa (gosto de ter a cozinha cheia de gente, risadas e conversas enquanto o cheiro da cebola no azeite enche a casa)
Hoje vou fazer Frango na Cerveja. Cebolas serão refogadas em azeite (tem que ser azeite, nada de óleo de outro vegetal qualquer). Depois de douradas o frango cortado em pedaços e temperado com sal grosso , pimenta, alho, uma folha de louro e cominho, será dourado. Depois disso cerveja para cozinhar por 30 minutos. Uma concha de conhaque para flambar e quando o fogo desaparecer, mais 10 minutos de fogo. Quando estiver pronto e todos na mesa acrescentarei nata fresca e muito cheiro verde. Sirvo com arroz ou pão branco (o preferido dos meus filhos). Uma salada verde e pronto. Do meu jeito o dia das mães será repleto de alegria.
Feita de porcelana, a sopeira da minha bisavó exibe a brancura marcada pelos anos na mesa da sala de estar em meio a livros de fotografia e de pintura.
Entre livros tão ilustres e eruditos tenta parecer peça rara e se empertiga dando lustro na belezura para tentar sentir por si o amor esquecido no tempo.
Livre da função de guardar a sopa aquecida, a sopeira nem se lembra mais do sabor do sal que teimava em grudar no recôncavo de suas curvas.
Todas as noites, quando a luz da lua atravessa a janela, a sopeira sussurra saudade e a sala de estar se enche de poesia.
Roland Barthes, no livro A Câmara Clara, define operator como aquele que opera a câmera fotográfica. Claro que ele vai além. Operator é aquele que para operar a câmera observa, recorta, define, sonha, escreve. Na esteira do pensamento barthesiano esse blog é espaço para discursos visuais e comentários sobre a fotografia.
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