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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Para comemorar



Dia 12 de novembro o programa "Direitos de resposta" completa 5 anos. Para comemorar haverá um debate sobre liberdade de expressão e participação social nas comunicações.
Lém disso haverá o lançamento do livro “A sociedade ocupa a TV”, memória do processo que culminuou com a ocupação da Rede TV! pelo programa que tratava de Direitos Humanos.
O programa começou a partir de uma ação civil pública movida por organizações da sociedade civil contra a Rede TV! por violação de direitos humanos. Um marco na história brasileira.

De lá pra cá, a luta pelo direito à comunicação avançou, mas ainda há muito pra


Serviço:
Data: 12 de novembro de 2010, sexta-feira, das 18:30 às 21:30
Local: Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, Av Paulista 37 (Próximo ao metrô Paraíso)
Mais informações: www.intervozes.org.br – (11) 3877-0824

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Discurso dos formandos de 2009


A formatura dos meus alunos de Jornalismo me reservou muitas surpresas, entre elas os discursos. Foram palavras repletas de emoção e alegria, mas sem as pieguices e gracinhas irrelevantes que geralmente estão presentes nessas ocasiões.
Reproduzo com orgulho o discurso do meu colega jornalista Hendryo André.

Estamos entre as primeiras turmas no Brasil a concluir o curso de jornalismo, desde que o STF, o Superior Tribunal Federal, derrubou o diploma.
De acordo com o pensamento do ministro Gilmar Mendes, maior defensor do fim da obrigatoriedade para o exercício da profissão, o diploma que acabamos de receber, ainda úmido com o suor do Trabalho de Conclusão de Curso e de outras disciplinas fundamentais da grade curricular, não tem função maior que a de secar as possíveis lágrimas de um esforço inútil.
Felizmente, não é noite para lamentações.
Devemos analisar a desregulamentação, sem, no entanto, nos manifestarmos de forma contrária à medida apenas porque o diploma garante uma reserva de mercado.
Se for esse o pensamento, os defensores do diploma deveriam ser os primeiros a rasgá-lo.
Durante quatro anos escutamos na sala de aula, nos corredores e nas rodas de discussão o princípio de que a mídia é uma espécie de quarto poder nos países onde a democracia impera. Mas o que é este quarto poder?
O filósofo francês Gérard Lebrun alega que não há – não há – possibilidade de discutir poder sem a definição do conceito de potência.
Potência, segundo ele, é uma espécie de capacidade que determinada pessoa tem para tomar uma atitude, sem que, no entanto, ela cumpra o ato.
Assim, um jornalista que abandone a carreira não perde, portanto, a potência de ser jornalista.
Caso ele se arrependa, ou seja, caso ele volte a exercer o ato de ser jornalista, esse profissional volta a ter poder.
Ainda não é hora de discutir que tipo de poder ele tem, mas é necessário saber que ele o tem.
Para o nosso apaixonante jornalismo, é a potência de exercer algo que aqui nos interessa, ou seja, não devemos mais discursar sem responsabilidade, como por algumas vezes fizemos na sala de aula, nos corredores e nas rodas de discussão.
Não devemos também, apesar da importância, mirar exclusivamente nossas atenções às qualidades e aos defeitos das escolas de jornalismo, e sim destacar a potência que este diploma, em tese, surrado, humilhado, empobrecido e sem valor, nos oferece para colocarmos a mão na massa.
Temos, portanto, potência para sairmos daqui com o objetivo de deixar o mundo melhor do que aquele que encontramos, independentemente dos veículos de comunicação que vamos trabalhar.
Todo poder, ainda de acordo com Lebrun, depende de uma força, que nada mais é que a canalização de uma potência.
Cada linha escrita, a partir de agora, é o exercício do nosso poder.
Ser poderoso, portanto, não é necessariamente ter artifícios para ameaçar, trapacear, ou ainda, iludir, persuadir ou esconder a informação do público.
Que esse estereótipo esteja com alguns de nossos antecessores.
Ser poderoso é tão somente chegar numa soma cujo resultado é zero. Sim, zero.
Se um jornalista recebe do público, por exemplo, a confiança na veracidade do material produzido, é fundamental que este jornalista tenha noção de que ele pode ser, talvez, a única fonte de informação daquele público. E isso se caracteriza como uma concessão de poder.
Mas vamos aqui utilizar um questionamento de Foucault sobre poder para encerrarmos a discussão.
Por que razão, pergunta o sociólogo, a noção de poder continua a ser relacionada com o princípio da monarquia, ou seja, de um Estado forte representado por um rei?
Nesses tempos de pensamento único, por incrível que pareça, não há um inimigo comum – como havia, por exemplo, quando nossos pais, tios, avós e amigos mais velhos, aqui presentes – percebiam na ditadura militar.
Há um inimigo escondido, que mostra a face veladamente num verso de Gilberto Gil: “Um jornal é igual ao mundo”.
E se um jornal é igual ao mundo, por que ele não pode ser mudado e, consequentemente, mudar o mundo?
Simplesmente porque um jornal como um todo tem potência, mas não tem poder.
Na visão do ministro do STF, um diploma de jornalista é também igual ao mundo, também igual a um jornal, ou seja, ele simboliza cidades poluídas, violentas e desiguais, cuja essência está na reunião de relações sociais tão complexas que o pobre jornal não explica, simplesmente porque não entende.
Se com a “potencialização” dos profissionais não podemos, nós, os jornalistas, auxiliar o público a compreender este mundo, o que dizer da formação relegada ao acaso?
Caso sejamos contrários ao diploma, caso deixemos de conceder este poder aos jornalistas, perde-se a razão de utilizarmos esta mídia para nos informarmos.
Mas quem transformou um documento de concessão de poder por parte da sociedade em embrulho de peixe no dia seguinte à formatura?
Empresários de grandes grupos de comunicação, políticos conservadores, uma ordem econômica voltada ao lucro acima de qualquer coisa, a indústria cultural e o mito de que a informação é uma concessão de poder como aquela dada aos reis em outros tempos.
E por isso vemos todos os dias os jornais, com tamanha potência a ser desperdiçada, reproduzirem as mudanças na economia como se elas nada tivessem haver com o controle sobre o número de desempregados, por exemplo.
Como se o controle dos especuladores nas bolsas de valores não tivesse relação alguma com a desigualdade social, com a fome, com a miséria, com a falta de recursos para a educação e para a saúde.
Como se um jornal não tivesse a obrigação – ainda que isso seja impossível – de procurar se apresentar como um reflexo do mundo!
Chegamos, finalmente, a provocação maior destas palavras:
Afinal, o que faz com que o jornalismo se manifeste como quarto poder?
Discutimos, finalmente, o tipo de poder em torno do jornalismo.
E descobrimos que o jornalista pouco simboliza o quarto poder, mas muito representa a potência, já que, necessariamente, deve ser movido por sonhos.
Todo jornalista, portanto, por si só, queira ou não, deve ter um espírito de contravenção em nome do bem-comum.
Só assim é possível que façamos, a cada dia, um jornal um pouco diferente do mundo. Um jornal com poder de mudança, não com potência jogada fora.
Que o nosso diploma, ainda que não seja regulamentado, esteja potencializado, e que nossas universidades busquem sempre melhorá-lo a partir de prioridades na formação humana, já que a universidade é a construção da potência, é a construção de sonhos.
Dessa forma, a comunicação se tornará efetivamente um quarto poder não como um meio de manutenção das desigualdades regulamentadas pelo mercado, mas na formação de um poderoso projeto de nação. Henryo André

domingo, 6 de setembro de 2009

Dominique Wolton


“Dediquei minha vida à teoria da comunicação”. Com essas palavras o sociólogo francês Domonique Wolton abriu o maior Congresso de Comunicação da América Latina, o Intercom 2009. Em menos de uma hora de palestra, o autor de diversas pesquisas mostrou que a dedicação de anos valeu a pena.
Com grande simpatia, Wolton conversou sem restrições com congressistas e com a imprensa. Só mais tarde foi possível entender o porquê de tanta abertura. Wolton valoriza o ser humano, e no conjunto de suas palavras o fez com muita propriedade.
Para o sociólogo, a grande quantidade de informação que a sociedade produz não traduz o que é a essência e o resultado da comunicação. Diferentemente da informação, na comunicação o outro é levado em conta, mesmo que esse outro não pense “como a gente”. Wolton resumiu a primeira parte do seu raciocínio apontando cinco frases principais:
1- Os seres humanos não podem deixar de comunicar-se;
2-Nós comunicamos para seduzir, amar e convencer;
3- Na maior parte do tempo “o outro” não vai concordar com as nossas opiniões;
4-Começamos a negociar para convencer o outro;
5- Quando a negociação funciona, organizamos a convivência.

“Viver é comunicar-se”. Por meio de frases de impacto sobre as relações contemporâneas de comunicação, Dominique fez com que muitas questões sociais fossem analisadas e reavaliadas pelos presentes. Uma delas foi a definição de que quanto mais técnicas são as coisas, melhor, haverá "mais paz". A conseqüência dessa filosofia, segundo ele dominante, são conclusões errôneas e comportamentos distorcidos. “Quando o ser humano apresenta dificuldades, ele culpa a técnica, mas a técnica é o mais simples. Viver em sociedade é o mais difícil”, afirma. Ele expressou que o ser humano não assume que por trás de toda a técnica, ferramentas e tecnologias estão os homens e que neles deve estar o investimento maior. A técnica seria neutra, não faz bem nem mal, quem decide para que fim será usada é o homem.
Citando várias vezes a democracia com relação à comunicação, Wolton afirma que a salvação desses dois elementos depende de uma terceira questão: o respeito à diversidade cultural. Somente por meio disso seria possível a comunicação e convivência pacífica da comunidade internacional.

Aline Rakko e Danielly Ortiz

Matéria publicada no blog do Intercom > CLIQUE AQUI

"Essa história de que o impresso vai desaparecer é balela"



O futuro dos veículos impressos frente aos avanços tecnológicos foi discutido na mesa redonda “O mundo no papel e o mundo digital: diálogos interculturais”. O evento aconteceu neste sábado (05) dentro do Ciclo de Debates sobre Temas Livres em Comunicação (Libercom), que integra o Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, o Intercom 2009.
Apesar dos avanços tecnológicos, como a internet e a crescente comercialização de aparelhos visualizadores de livros eletrônicos (E-Books), a opinião dos especialistas presentes na discussão foi unânime: o meio impresso não vai acabar. Na visão do Doutor em Comunicação, professor da Universidade Mackenzie e coordenador da mesa, José Carlos Marques, as novas tecnologias não vão dar fim ao jornal impresso.
“Eu não partilho da impressão de que o meio impresso vá acabar com as novas tecnologias. Pelo contrário, nunca se leu tanto na história da humanidade como agora, com os novos meios digitais. Acho que a leitura se fortalece e o meio impresso faz parte de todo esse processo de comunicação na modernidade”, afirma Marques.
O doutor em Ciências da Comunicação e atual professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Anibal de Bragança, é mais enfático quanto à "previsão apocalíptica" do fim dos impressos. “Essa história de que os impressos vão acabar é balela. Estamos produzindo cada vez mais obras”, afirma.
Já o professor doutor da Universidade de São Paulo (USP), José Luiz Proença, denuncia que “há certa agressividade por parte do mundo digital, que diz que tudo vai acabar”. Otimista, Proença acredita num “relacionamento” amigável entre o mundo do papel e o mundo digital. “Acho que eles estão mais para um casamento do que para um divórcio”, garante.
Ainda seguindo a linha de que a tecnologia não é nenhum bicho papão, José Carlos Marques diz que, se bem utilizada, a tecnologia só tem a favorecer o jornalismo. “Acho que as novas tecnologias têm que andar a serviço do trabalho da imprensa e não o contrário”, conclui.


Texto: Flávio Freitas
Foto: Patrick Belem

Vou publicar algumas matérias sobre algumas palestras do Intercom.
São mais de 1500 trabalhos!
Para ler sobre vários outros assuntos relacionados ao evento acesse
http://intercom2009.blogspot.com

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Jornalismo resistente


A sede fica em uma rua estreita, bordada de varandas coloridas em Viana do Castelo, norte de Portugal.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Aqui na Terra


Este é o livro de meu amigo Miguel Carvalho. O livro reúne histórias jornalísticas sobre essa terra: Portugal.
Miguel é um jornalista que admiro muito.
Possui uma narrativa deliciosa.
As histórias são tão intensas que me fazem desejar observar o seu método de entrevistas.
Penso que ele tem uma maneira de abordar única que as pessoas lhe dão, graciosamente, suas histórias mais íntimas como se a um confessor que os absolvesse de toda a tirania humana.
Terei a honra, junto com Nuno Higino, de apresentar esse livro tão lindo e profundo.
Será hoje, dia 14 de Julho, às 21h30, no espaço MAUS HÁBITOS, no Porto.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

A propósito de la situación en Honduras

Recebi este comunicado de minha amiga Alejandra Morales. (nunca nos encontramos pessoalmente, mas ela é mais um daqueles presentes que recebi da vida)
Repasso a vocês porque não podemos ficar de fora de qualquer discussão relacionada à liberdade de imprensa.



A quienes se sienten comprometidos con la prensa digna

Tristes guerras, si no es amor la empresa.
Tristes, tristes. Tristes armas, si no son las palabras.
Tristes, tristes. Tristes hombres, si no mueren de amores.
Tristes, tristes.
Miguel Hernández


Decía Charles Bukowski que la censura es la herramienta de aquellos que necesitan esconder la realidad a sí mismos y a los demás. En estas horas aciagas que vive la República de Honduras, nos permitimos hacer un llamado a todos nuestr@s compañer@s periodistas de Iberoamérica, y muy especialmente a l@s hondureñ@s, para que sepamos aprovechar la adversidad y continuemos dignificando el oficio, militando del lado de la honestidad.

Al momento de redactar esta carta que necesitamos compartir con tod@s ustedes, se desconoce el paradero de la Canciller hondureña Patricia Rodas, insigne luchadora, y cercana colaboradora de nuestro documental; se ha secuestrado el Presidente de un país, legítimamente electo, se reprime al pueblo hondureño que ha decidido, a pesar de las tanquetas y los fusiles que les apuntan, ejercer el derecho legítimo que tienen de expresar su opinión, y no otra cosa: su opinión.

Hemos sido testigos con desolación y vergüenza, de la actuación de los canales de televisión privados de Honduras, que en una clara demostración de desprecio al pueblo hondureño, trasmiten dibujos animados mientras el Presidente constitucional ha sido secuestrado, vejado, y expulsado a Costa Rica; miles de hondureños y hondureñas se manifiestan en las calles a favor y en contra de la situación; cientos de soldados han tomado las principales ciudades del país, la Organización de Estados Americanos se declara en emergencia; y hay un importante número de dirigentes sociales y funcionarios del gobierno constitucional de Honduras, como la Canciller Patricia Rodas, desaparecidos.

Esta carta no está interesada en los directivos de esos canales de televisión, como decía Camus, la estupidez insiste siempre. Esta carta va dirigida a l@s compañer@s periodistas, como una demostración de la fe que necesariamente tenemos en much@s de ustedes. No pretendemos tomar partido, para eso está todo un pueblo capaz de decidir su destino, y es necesario que le procuremos el respeto que merece.

Los dueños y directivos de los medios de comunicación social, sólo tienen dinero, el verdadero poder es el de los trabajadores que pueden sacar una señal al aire, parar una rotativa, interrumpir revistas musicales radiales que pretenden acallar la estruendosa realidad de los hechos, en legítimo uso de sus atribuciones porque el periodismo no es solo oficio, es compromiso.

Vamos a ser más culpables de lo que dejemos de hacer que de lo que hagamos, no es digno guardar silencio ante la agresión y secuestro cobarde de una mujer. No hay diferencia entre Patricia Rodas, Ingrid Bethancourt, o Lydia Cacho. Las dos últimas deben en buena medida su sobrevivencia a la prensa honesta, consecuente y responsable, que se preocupó en hacer de sus nombres una consigna mundial, que fue su chaleco antibalas hasta que los cobardes comprendieron que contra la prensa digna, limpia y decente, ciertos cañones son impotentes.

La historia nunca nos perdonará el silencio. L@s periodistas somos responsables a estas horas, de la vida de Patricia Rodas, de la vida de Carlos Padilla, y de la vida de much@s herman@s hondureñ@s, sin importar su militancia. Nosotros tenemos el poder de decidir cuál artillería es más poderosa, si la de los cañones, o la de las palabras.

Nosotros, desde Caracas y desde Madrid, nos ponemos a la disposición para hacer todo cuanto haga falta para que se conozcan los hechos, para que retornen el diálogo y la paz, y exhortamos a nuestr@s compañer@s periodista@s de Iberoamérica y muy especialmente de Honduras, a un ejercicio ético y responsable del oficio, y si ese esfuerzo les supera, entonces les rogamos que no dejen que nunca nadie les llame periodistas, porque no lo son.


A Honduras, nuestro abrazo, y nuestra entera disposición, a nuestra amiga Patricia Rodas y a su familia, nuestra absoluta solidaridad, y nuestra infinita admiración. Estamos seguros que muy pronto compartiremos más conversaciones en cualquier mesa de Iberoamérica.




Francisco Guaita López-Muñoz Alejandra Morales Hackett
Periodista – Director Periodista – Productora



http://lacomunidad.elpais.com/documetal-televisivo/2008/8/8/nuestras-voces-del-documental