segunda-feira, 26 de maio de 2008

Conhece meus segredos



Em seu olhar há uma devoção que chega a me constranger.
Certamente meus segredos estão seguros...

quinta-feira, 22 de maio de 2008

GARAPA






Garapa é um suco feito da cana de açúcar.
No Brasil, a trilha sonora das festas populares possui uma faixa com o som do motor que moe a cana.
O líquido é grosso. Alguns, podem ser afetados pela visão de várias miudezas que compõem o jato viscoso, antes dele passar da peneira para o copo.
Garapa é também o nome de um grupo que, conforme eles é "um coletivo de produção jornalística audiovisual, multimídia". O grupo tem como objetivo "produzir conteúdo de qualidade para distribuição nos mais diversos canais, em especial a internet. Acreditamos que esse formato pode ajudar a humanizar a notícia, colocando o público em contato mais orgânico com a informação."
E conseguem fazer tudo isso.
A idéia que surgiu em mesa de bar, possui uma linguagem inovadora, embora utilize velhos recursos ou meios (como sugeriu Macluhan) para contar histórias.
A história da Isabella, por exemplo, é uma dura crítica aos meios de comunicação e à sociedade travestida de juíz.
Vale a pena experimentar.
http://www.garapa.org/

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Beleza Ameaçada


Começa amanhã a exposição Beleza Ameaçada, de Sandra Wolf e Oswaldo Estáquio. A Sandra foi minha aluna e é a primeira índia formada em jornalismo, do Brasil.
A mostra abre amanhã no Museu Municipal Leonel Trindade em Torres Vedras, Portugal. Depois disso segue para o Japão e Austrália. Foi uma honra para mim fazer a a curadoria da exposição.

Eis o texto da abertura:
Há leis no Brasil que protegem os índios.
Nelas foram estabelecidos direitos, principalmente o territorial.
Há, porém, aqueles que fazem ouvidos moucos, cegam os olhos e calam a voz. São empresas, companhias de mineração, garimpeiros e fazendeiros que invadem constantemente as terras e devastam a cultura indígena.
Em 1500, quando as naus portuguesas chegaram ao Brasil existiam 5 milhões de índios e mais de mil línguas faladas. Hoje, o povo indígena está reduzido a 270 mil e menos de 300 línguas.
No entanto, muitos brasileiros lutam pelas causas indígenas e pela preservação da cultura. Beleza Ameaçada é parte dessas ações.
Estas fotos vão além da plasticidade indígena e nos instalam próximos aos sonhos de homens e mulheres que buscam manter vivas suas tradições, rituais e costumes.
Nelas, olhos nos invadem como um caleidoscópio imaginário onde há sussurros de esperança.
Sandra e Oswaldo nos presenteiam com instantes repletos de magia, bem ao gosto do índio brasileiro.
Zaclis Veiga
Curadora da mostra

quinta-feira, 15 de maio de 2008

...



isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além

Paulo Lemisnki

terça-feira, 13 de maio de 2008


Estou lendo o livro DENTADA EM ORELHA DE CÃO, de Miguel Carvalho.
É um livro-reportagem excepcional.
Miguel tem uma linguagem interesante, fluída e conta as histórias do "mundo com gente dentro" de maneira cativante e intensa.
É um livro que tem a caligrafia da emoção e é também uma obra visual.
Ele escreve de maneira que meus olhos o acompanham através de lugares como Albânia, Guiné Bissau, País Basco, Venezuela (onde ele está fazendo uma reportagem)e Portugal.
E tem sido uma boa viagem.
Miguel não poupa o tom ácido ao falar das diferenças sociais e das políticas excludentes.
Porém, ao dar voz aos desabrigados, esfomeados e esquecidos a caneta traça uma partitura suave, melodia de quem quer sonhar com um mundo justo.
Miguel é grande repórter das revista Visão, de Portugal. É um homem inquieto com o mundo ao seu redor.
Na introdução do livro escreve:
"Nestes textos, caro leitor, podes encontrar as tuas divergências, o teu ânimo, o teu desalento. Mas desejo, sobretudo, que percebas que as lágrimas têm sal em todos os cantos do mundo, que os sonhos de muitos homens e mulheres se jogam, com a mesma dor e alegria, na Albânia, na Venezuela ou à tua porta. Partilho, tal como Sepúlveda,'o desejo secreto de nos agarrarmos à palavra como o únio esconjuro contra o esquecimento'. E porque os cínicos não servem para este ofício, quero acordar todos os dias, bem desperto, e escrever o melhor que sei e posso. Como se ainda fosse mudar o mundo."
Miguel é uma daquelas raras pessoas que dá orgulho de chamar de amigo.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Aposentadoria


Dia desses falava a um amigo que gostaria de me aposentar...
Chinelo aos pés, corpo na rede, paisagens do mundo nos olhos, fotografar, fotografar, fotografar ...
Oras, diz-me ele, fotografar não é teu trabalho? Para que se aposentar?
Respiro...
E as chinelas? E a rede? E as viagens? E o fotografar?
Tem gente que não nos compreende...


"Fotografar é colocar na mesma linha de mira cabeça, olho e coração"
Cartier-Bresson

Fim de tarde


Outono sempre foi a minha estação predileta.
A luz é maravilhosa.